Maio: lucrei com 42% de acerto. Isso me preocupa.
Maio fechou positivo. R$857 no bolso, 33 operações, 14 gains e 18 losses. No papel, resultado bom. Na prática, o mês me deixou com uma pulga atrás da orelha que não sai.
O problema não é o dinheiro. O problema é que a nota média do meu processo ficou em 5.7.
Deixa eu traduzir isso: eu operei mal durante a maior parte do mês e ainda saí no azul. Isso seria motivo de comemoração se eu não soubesse o que essa conta está escondendo. Um win rate de 42% só sustenta resultado positivo quando o RR está funcionando direito, quando o stop não sai do lugar e quando você está capturando os movimentos certos. Mas com nota de processo 5.7, eu sei que parte dessa lucratividade foi sorte posicionada no lado certo. E sorte não é método.
O padrão que apareceu com mais clareza em maio foi duplo: hesitação na entrada e operação para sair da dor depois do loss. Às vezes eu via o setup perfeito, o candle fechando, a região batendo, e ficava parado. O mercado saía sem mim. Outras vezes levava um stop e aí entrava na próxima operação com pressa, querendo recuperar, sem esperar o próximo setup de qualidade. São os dois lados da mesma moeda comportamental: medo e revenge andando juntos.
Só oito dias sem violação no mês. Esse número dói mais do que qualquer loss individual.

E ainda assim, quando olho para trás, consigo ver algo que antes eu não via: estou percebendo o que está acontecendo enquanto acontece. Não depois, não na revisão do final do dia, mas no momento. Sinto a hesitação surgir e sei nomear ela. Sinto o impulso do revenge trade e, na maioria das vezes, consigo não executar. Isso é diferente de onde eu estava. Não é suficiente, mas é diferente.
O trade que mais ensinou em maio foi justamente um que eu segurei o stop. O loss veio, foi limpo, foi parte do processo. E o mês terminou positivo mesmo com 18 losses no placar. Isso me disse algo importante: o método funciona quando respeito as regras. O problema nunca foi o setup. Nunca foi.
A frase que escolhi para resumir maio foi simples: processo acima do resultado. Mas preciso ser honesto comigo mesmo. Eu disse isso e não vivi totalmente durante o mês. A nota 5.7 é o espelho disso. Para junho, a missão não muda de nome, muda de intensidade.
1% melhor por dia. Não é poesia motivacional. É o único caminho que faz sentido quando você tem 33 operações para calibrar, não uma.
Você já viveu um mês assim? Resultado ok, mas sentindo que o processo ainda não estava onde precisava estar? Como você lida com essa tensão?
